Investidura em Salamanca-Es. - 2008 IIpor João José Baptista Neto - krinchen@superig.com.br
JORNADA DO SÁBADO 27 DE SETEMBRO
A INVESTIDURA, O GRANDE DIA
A jornada do Sábado começou muito cedo, pois a agenda de atos e visitas era muito ampla e apertada.
Às dez da manhã a Representação Provincial de Salamanca recebeu os templários que elegeram esta cidade para realizar seu evento anual mais importante. Foi o imponente Palacio de la Salina ou também chamado de Fonseca, o ambiente eleito para essa recepção.
Finalizado o ato institucional, os visitantes se dirigiram à Sala de Exposições La Salina, onde desde 5 de Setembro se realiza a Exposição de Fac-Similes "A iluminura da escrita medieval", que com mais de 30 exemplares, se converte em uma esplêndida mostra da cultura da época.
Destaca-se entre eles el "Processus contra templarios", um dos fac-similes que mais interesse desperta entre os que visitam a exposição. Exemplar recentemente adquirido pelo Grande Priorado da Espanha e a primeira vez que se expõe na Espanha.
Este documento publicado recentemente pela editorial Scrinium do Vaticano, pede desculpas à Ordem do Templo de todas as acusações que se verteram sobre ela para conseguir sua suspensão. "Processus contra Templários" demonstra que as atuações realizadas contra a Ordem do Templo e a prisão e posterior assassinatos de irmãos e dirigentes se basearam em uma falsidade habilmente montada por personagens da época.
Recentemente a historiadora Bárbara Frale publicava um artigo no LOsservatore Romano voltando a insistir em que "os templários não eram hereges". Frale volta assim a desmentir a lenda negra que recaiu sobre esta Ordem, como já demonstrou o ano passado ao apresentar o chamado "Follio de Chinón", que é o que contém o "Processus contra Templarios", e que se encontrava nos Arquivos Vaticanos.
As atas dos longos processos que tiveram que enfrentar o Grão Mestre do Templo, Jacques de Molay, e os principais dirigentes da Ordem, se encontravam até então zelosamente guardados nos Arquivos Vaticanos até que o Vaticano apresentou em Outubro a reprodução das atas. A importância destes documentos reside em que contém a petição do papa Clemente V de absolver Jacques de Molay, e, sobretudo, nega as acusações de traição, heresia e sodomia que criaram a "lenda negra" dos membros do Templo.
De nada serviu a absolvição papal porque Felipe o Belo conseguiu em 1312 que o Concílio de Viena decretasse na prática a dissolução da Ordem e, em 18 de Março de 1314, Molay e os seus foram queimados na fogueira. Porém, que séculos depois a verdade resplandeça, não é só uma reparação histórica, senão o restabelecimento da honra desses cavaleiros, os templários, que tanto deram pela cristandade.
Em seu artigo no "LOsservatore Romano", a historiadora repassa de novo o processo dos Templários e assinala que "a espiritualidade dessa antiga Ordem religiosa dará ainda à cultura contemporânea outras ocasiões para destacados debates".
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