Caro leitor, caro consulente, peço licença para comentar em artigo um tema menor.... o custo da consulta. Ou melhor, o fato de uma consulta ser "cobrada". Quero também pedir desculpas pelo título do artigo, um tanto vulgar. Mas a intenção foi chamar a atenção do leitor para o assunto que eu julgava coisa do século passado.
Dê-se o nome que quiser, "remuneração", "ganho", "paga", ou mesmo "preço", o fato é que ainda existe, aqui e ali, a percepção de que é "feio" cobrar por uma consulta, especialmente oráculos. Ainda outro dia ouvi comentários sobre o assunto, algo como "como você pode cobrar por um dom que recebeu de graça?"
As raízes desde modo de pensar podem ser buscadas em vários aspectos da nossa cultura, e essa é uma digressão extensa que não cabe em um único artigo. E, é assunto que desperta paixões.
Lennormand, a famosa cartomante/vidente, estudiosa profunda da Tradição, costumava sim, cobrar conforme as posses do consulente. Ou não cobrava. E há uma ética e um bom senso nisso. Tem que haver. Ela é o meu exemplo e referência maior no assunto.
Eu tenho uma teoria, a teoria da "casquinha". Muitas pessoas se questionam, associam tarot a "crenças", "fé", enfim coisas que frequentemente nada têm a ver com o processo, mas querem sim "dar uma espiada", quando na verdade tem receio de ouvirem a si mesmos, e tem uma real dificuldade em se aproximarem do profissional - uma questão de confiança e empatia, similar à relação médico-paciente.
Afinal, o consulente será mexido (mas nunca invadido) em questões de seu universo afetivo.
Consultas ao Tarot não são assunto para "curiosos", é coisa séria e como tal deve ser tratado. E, quem contrata uma consulta deve estar imbuído desta expectativa. Além da paixão pelo que faz, um tarólogo está sempre se aprimorando, aprofundando, estudando, tudo para cumprir sua missão sagrada, ser canal de Luz aos que buscam.
Neste contexto, onde fica a paga? É sujo receber dinheiro em troca? É ser comercial, mercenário? Não, a paga é justa e tão sagrada quanto a intenção mais profunda e sincera do tarólogo. Ser tarólogo é como um ofício, um artesão da alma, a começar da própria - e o valor de uma consulta valor não pode ser medido senão pelos resultados, pela experiência direta. E a paga deve refletir num mínimo o valor que ambos tarólogo e consulente entendem que seja o justo: quando ficamos satisfeitos com algum serviço prestado, não costumamos dizer que "vale cada centavo"? Pois então.
Assim não fosse, nossos talentosos jogadores de futebol, cantores, toda essa gente talentosa e cheia de dons especiais, recebidos "de graça" não deveria receber paga!
É o sagrado que eleva o profano.