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Reflexões sobre o Evangelho de Judas Iscariotes  
   

Reflexões sobre o Evangelho de Judas Iscariotes

Autor Daniele Alvim - danielealvim@hotmail.com


Sempre me soaram estranhas algumas passagens da vida de Jesus Cristo; mesmo sendo “oficiais”, isto é, contidas nos evangelhos da Bíblia, não são coerentes com a verdadeira natureza e poder de um Mestre como aquele.

Uma das coisas era sobre a traição de Jesus por seu discípulo Judas. E minhas suspeitas foram confirmadas pelo texto contido no recentemente publicado Evangelho de Judas Iscariotes, traduzido do copta e encontrado no Egito em 1970.

Se remontarmos à Última Ceia, Jesus afirma que seria traído e dá o “pão molhado” para aquele que seria o traidor, isto é, Judas Iscariotes. A partir dessa passagem já poderíamos deduzir que Jesus já aceitara seu destino como algo inevitável, do qual não poderia abrir mão; mas se o pudesse fazer, obviamente não haveria quem o traísse, já que um Ser com o poder e a estatura espiritual Dele jamais poderia ser pego e massacrado se assim não o permitisse.

Somente raciocinando dessa forma jamais poderíamos condenar Judas, já que Jesus não teria sido pego de surpresa pela suposta traição do apóstolo, mas sabia dela de antemão e que o próprio ia realizá-la. E no reconhecimento dessa verdade e no momento em que a revela a seus discípulos, perdoara Judas. Pois quem, sabendo-se traído e quem é o traidor, continua relacionando-se com ele até o chegar de sua morte provocada pela traição, senão por tê-lo perdoado?

Mas o Evangelho de Judas surpreendentemente vai além e revela que Jesus convocara Judas para traí-lo. Dessa forma poder-se-ia encenar o Drama Cósmico e também cumprir o Seu destino cósmico e o da humanidade. Percebam que Judas foi um mártir, pois até hoje é apedrejado e condenado por toda humanidade (e eternidade) por ter sido aquele que traíra Jesus, a personificação do próprio Deus e de seu Amor e Compaixão infinita pelos homens. Foi Judas um homem de coragem supra-humana, pois também sabia, pelo seu próprio Rabi, que passaria do Céu ao Inferno ao realizar aquele ato necessário. E assim cumpriram-se as Escrituras e a humanidade pôde dar um salto e sair da situação assombrosa em que se encontrava naquela época.

Mas por que a história foi contada de forma a condenarmos Judas por sua traição? Se pararmos para pensar um pouco, Judas fez o papel do “mal necessário” para que Jesus demonstrasse o seu Amor Sacrificial. Natural que compreendêssemos (e acordássemos) melhor dessa forma, de acordo com a nossa consciência dual ainda polarizada com a noção de bem e mal. Soaria realmente estranho que se soubesse que Jesus aceitaria de bom grado ser traído, e que até haveria de escolher quem o traísse e esse na realidade não haveria de ser um traidor. Talvez, quem sabe, nos sentiríamos traídos pelo próprio Jesus!

Com a consciência que temos agora podemos compreender que o sacrifício de Jesus fora maior ainda, pois não lhe foi concedido o livre-arbítrio para evitar o destino que lhe ocorreria, apenas a aceitação plena da morte. Seu destino cósmico era trocar seu invólucro carnal pelo corpo de luz. Vencer a morte conscientemente para unir-se integralmente à sua consciência espiritual. O Ser de Luz que é.

Para nós que temos a oportunidade de conhecer a verdade através das escrituras apócrifas, nos cabe pensar sobre nossa posição ao condenarmos Judas. Não somente perdoá-lo agora que sabemos que não foi ele de fato um traidor, mas fiel cumpridor das vontades de seu Mestre, como também reavaliarmos nossa posição ao julgarmos qualquer um que pratique um ato que consideramos uma traição. Será que traidor e traído não estariam inconscientemente encenando um drama relativo às suas próprias evoluções sobre amor, sacrifício e perdão?

Vicky Wall, criadora da Aura-Soma, confiou o único dinheiro que tinha da venda de sua residência para a compra de outra a um advogado (de sua confiança) que o roubou. Ao invés de processá-lo pela traição, preferiu meditar e perguntar a Deus o que Ele esperava dela, pois estava cega, sem moradia, idosa e agora sem dinheiro. Na terceira noite, nasceu o primeiro óleo da Aura-Soma e hoje, graças ao perdão e compreensão de Vicky, seus óleos fazem milagres em quem os usa, milhares de pessoas no mundo.

Amar é divino e perdoar é exercer esse amor na prática. E esse ato para nós é um grande sacrifício, o sacrifício de nosso ego, de nosso amor-próprio, de nossas certezas absolutas, de nosso papel de vítimas injustiçadas. Perdoar é compreender que não existem vítimas nem algozes, mas papéis que se completam para que haja uma ampliação da consciência dos envolvidos. Olhando para a história de Jesus, podemos ao menos sentir a grandeza da alma que perdoa; com certeza, mais pertinho de Deus estaremos.
OBS: Este artigo não tem por objetivo ir contra qualquer tipo de crença ou verdade bíblica ou de quem quer que seja, apenas expressa a opinião íntima da autora.

Texto revisado por Cris


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Autor: Daniele Alvim   
Daniele Alvim é Escritora, Terapeuta e Professora de Aura-Soma
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Publicado em 14/09/2008
 

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