LEIA COM ATENÇÃO E PENSE - Finalpor ESPAÇO ESOTÉRICO MAGUS de FOGO - indiopenaverde@ig.com.br
Mas isso não pode impedir que se procure uma solução como alternativa para os dependentes, desde os mais recentes até os já afetados pela síndrome de abstinência, com a criação de um Fundo de Apoio e Solidariedade ao Dependente. O caso particular dos distribuidores, porém, requer uma análise mais profunda e sofisticada, porquanto irão naturalmente procurar compensações para possíveis perdas, envolvendo o recrudescimento da violência. Mas, apesar da aparente impossibilidade desse segmento se recuperar, há que se destacar que todo ser humano tem por direito levar uma vida digna, e a sociedade como um grande condomínio tem de proporcionar a todos os seus condôminos essa vida digna, mesmo que, para tanto, alguns tenham que pagar mais do que outros.
Chegou a hora de o ser humano mostrar que, além de “aparentemente” racional e também “aparentemente” humano, demonstrando a todos, como exemplo de ação, os atributos próprios de humanidade, precisa se manifestar concretamente. Existe uma Consciência Cósmica que só agora a ciência está contornando sua periferia, muito próxima do Ser de Parmênides, que a física quântica, a física das possibilidades, está descortinando. A relação consumidor/distribuidor é crucial neste caso. Os assaltos a turistas em vias expressas que ocorreram no Rio de Janeiro, assim como a queima de ônibus e até de passageiros (seres humanos), referidos pelo Presidente Lula, à época, como “terrorismo”, nada mais foram do que reações absurdamente irracionais dos distribuidores face ao controle mais presente feito pelos serviços de inteligência e segurança pública, por policiais que morrem e matam deixando familiares dependentes, agora acompanhados por ações de milícias, também conhecidas por “polícia mineira”.
Talvez esse possa ser um dos principais temas a ser debatido num amplo evento sobre o mercado informal de drogas, face, agora, à divulgação dos treinamentos tipo “boinas verdes”, adotados no Vietnam para preparar mercenários americanos e de outros países europeus, para lutar em missões de alto risco, e que a Polícia Militar está repetindo, com as devidas adaptações, para o confronto com a parte assimétrica que lhe cabe: o distribuidor. A pergunta a ser respondida de início é: há solução?
5. Propostas de Estudo Como observadores podemos dizer que a sociedade está diante de um fenômeno social sistêmico que a está empurrando para o Inferno de Marcola, composto de um grande número de elementos que se ajustam para atingir um objetivo próprio: o funcionamento do mercado e da distribuição segura dos recursos arrecadados. Todos os elementos que compõem o sistema podem ser estudados particularmente, como objetos discretos, por analistas ad hoc, como vem sendo feito com muita competência por aqueles que se dedicam a estudá-los, com o destaque de sua importância e necessidade, mas não de sua suficiência.
O que está faltando é o estudo do mercado no seu conjunto, com as diferentes partes que o compõem interligadas, a única forma de mostrar quem é quem neste latifúndio, e a responsabilidade, consciente ou inconsciente, de cada parte na violência existente.
6. Conclusão Não faz muito tempo, o jornalista Ib Teixeira, em artigo no Globo, informou que o Brasil, segundo dados oficiais, é o líder destacado em mortes violentas por cada cem mil habitantes, superando em muito qualquer outro país do planeta. A comparação com os Estados Unidos da América, país reconhecidamente violento é de espantar. Entre brasileiros, mais de 40, e entre norte-americanos, 6,9. Não temos o direito, portanto, de sermos coniventes com o que está acontecendo. Os custos tangíveis e intangíveis são muito elevados para o futuro de uma Nação que ainda está sendo construída. Se é que há tempo de evitar que uma grande obra se torne inacabada!
Resta apenas à sociedade se organizar melhor para defender os seus direitos, desde que a democracia política, tão enaltecida, não se configure como uma falácia, e pressionar os Poderes constituídos para que em seu nome, conforme expresso na Constituição da República, os problemas que a afligem possam ser pelo menos discutidos e, se possível, resolvidos, mesmo que de forma precária.
Está na hora de o Brasil começar a se impor como um país sério, um país que merece respeito. Urgentemente! Que os governos, federal, estaduais e municipais, façam a sua parte, discutindo com a sociedade esse mercado informal de drogas, e as razões que levam tanta gente, além das classes ociosa e ociosa vicária, a consumi-las tão insistentemente. A ingênua ilusão de que estas “viagens” os estão levando para o paraíso, vai levá-los a perceber mais cedo do que imaginam, de que estão entrando num lugar muito mais quente do que gostariam de estar. Lembrem-se de Marcola.
É importante que este debate conte com a participação de entidades internacionais e da própria ONU. Infelizmente, não dá mais para esperar. Não podemos continuar sendo coniventes com essa liderança em mortes violentas e com crimes tão bárbaros como o do menino João Hélio e de outros com menos destaque. Basta! Que o ser humano se humanize definitivamente! Chegou a hora!
Texto por Orlando Nunes Cosenza Sociólogo pela UFF D.Sc. Engenharia de Produção, ênfase em Transportes, COPPE/UFRJ M.Sc. Ciência Política, ênfase em Políticas Públicas, IUPERJ/UCAM Especialização: Comercialização Nacional e Internacional, OEA; Educação em Ciência e Tecnologia, ESG Pesquisador em Engenharia de Produção, COPPE/UFRJ Membro do Comitê de Ética em Pesquisa, Hospital Universitário Clementino Fraga Filho e Faculdade de Medicina/UFRJ.Texto revisado por Cris
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