LEIA COM ATENÇÃO E PENSE - 2ª Partepor ESPAÇO MAGUS DO FOGO - indiopenaverde@ig.com.br
3. A Distribuição Quanto aos distribuidores de droga, sustentados pelo consumo e conhecidos como “traficantes”, por divisionismo, competem cruelmente entre si com o único objetivo de continuar participando desse mercado, seja para manter seus clientes, seja para ampliá-los, mesmo que para tanto tenham que eliminar concorrentes ou ser por eles eliminados. O mais cruel, porém, é que participam dessas disputas crianças e adolescentes, peões gerenciados quase sempre por consumidores da própria droga que distribuem, logo, dependentes também, daí o caos urbano que proporcionam. Armas, ao que parece, não faltam nesse desumano jogo de xadrez, onde reis e rainhas e alguns bispos, cavalos e torres se escondem, mascarados como personas no antigo teatro grego!
Exatamente como acontece em São Paulo, com a diferença apenas de serem mais organizados, sem facções concorrentes como no Rio de Janeiro. São Paulo talvez faça parte de uma rota internacional de comércio de drogas, estendida mais recentemente para Fortaleza, Ceará, razão da existência de braços executivos competentes, dentro e fora de presídios, e da forte resistência armada aos serviços de segurança pública, que circunstancialmente ocorrem.
Em São Paulo a violência parece ser mais orgânica e no Rio de Janeiro mais pontual. No Rio de Janeiro, como as disputas entre facções causam muitas vítimas entre eles próprios e entre pessoas que não têm nenhum envolvimento com esse mercado, caso das balas perdidas, por exemplo, as ações pontuais, sistematicamente divulgadas pela mídia, impactam fortemente a sociedade.
Mas, em ambos os casos, Rio de Janeiro e São Paulo, o que a razão e a sensibilidade sugerem é que este comércio informal seja amplamente discutido, de preferência com recursos de organizações internacionais, mais independentes, dado o provável envolvimento interno de pessoas sem rosto (cidadãos acima de qualquer suspeita) e de burocratas públicos e privados neste jogo macabro.
No Brasil, como tem acontecido até agora, não é a simples produção de políticas públicas punitivas para usuários, fornecedores ou produtores, que vai resolver ou minimizar esse problema. É necessário que o mercado, tal como ele se apresenta, após amplo debate, também seja incluído como objeto dessas legislações. Assim como as legislações são amplas e diversificadas o mercado também o é. Exemplos: o General Manuel Noriega, do Panamá, preso nos Estados Unidos da América por tráfico de drogas, agora reivindicado para ser julgado também na França; Augusto Pinochet, ex-ditador do Chile, não ficou rico com o soldo de oficial militar de seu país, mas com o narcotráfico, conforme denúncia de um ex-chefe da DINA, Serviço de Inteligência chileno.
Não se trata, portanto, de um fato que ocorre só no Brasil. Vide o primeiro relatório de Milton W. Cooper, militar americano que lutou no Vietnam e trabalhou na CIA. Importantes serviços de inteligência e a máfia nunca estiveram de mal. Há uma rede internacional de distribuição e receptação, onde cabem figuras de destaque, além daqueles que operam o sistema. As drogas e as armas não entram no país, nos estados e nos municípios, por efeito de uma mágica ou de um milagre, como, de resto, em nenhum outro país, ou lugar. O diferencial brasileiro, é que em nosso país as coisas ocorrem de uma forma demasiadamente explícita para chamar a atenção de qualquer cidadão mais distraído e de jornalistas estrangeiros que têm por hábito perambular por aqui.
4. O Mercado É verdade que discutir um mercado que envolve um percentual relativamente alto do PIB brasileiro, cujo dinheiro precisa ser necessariamente lavado e enviado para o exterior, afetando negativamente a distribuição de renda interna, ou as reservas do Tesouro Nacional, certamente irá afetar também muitos outros interesses, direta e/ou indiretamente envolvidos, pessoais e institucionais, que não precisam necessariamente estar com armas nas mãos para participar discretamente desse grande negócio.
Especialistas das mais diferentes áreas poderão formular questões que permitam avaliar as vantagens para a sociedade que uma discussão ampla sobre este mercado pode levar, focando as conseqüências generalizadas do consumo na segurança individual e coletiva, na educação, saúde e expectativa de vida dos mais jovens, no bem-estar das pessoas, produtividade individual e do sistema produtivo, além da imagem do país no exterior, com a proposição de cenários plausíveis para um futuro desejável, como contribuição para decisões que comprometam publicamente os três Poderes da República e aqueles que os representam. Como os interesses envolvidos são muitos e alguns muito fortes, principalmente dos que podem perder, caso particular dos distribuidores e facilitadores operacionais que hipoteticamente se apóiam em figuras de destaque, influentes, que informalmente os representam e facilitam suas ações, além daqueles que se preocupam com a preservação da dignidade humana com argumentações éticas (relatórios da ONU e proposições de instituições religiosas), a legalização e controle público do comércio da droga por certo estará descartado, embora seja conveniente sua discussão.
A hipocrisia e a aparente dificuldade de decodificar informações relativamente simples por parte de quem consome ou protege quem consome, é certamente um forte obstáculo a ser vencido, até porque o dependente, por ser dependente (um doente), dificilmente terá condições de deixar o consumo, o que facilita a permanência desse mercado informal e de tudo o que dele decorre, principalmente a violência que se generaliza pela sociedade, além do gradativo enfraquecimento do sistema imunológico dos habitués e daqueles que costumam brincar de consumir.
Continua em Leia com atenção e pense – FinalTexto revisado por Cris
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