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A Violência e o Mercado Informal de Drogas no Brasil
1. Introdução
Ultimamente a discussão sobre violência, tanto no Brasil como no exterior vem se acentuando, e a imprensa vem dando destaque.
No Brasil, diferentemente de outros países, a violência pode ser referenciada pela sucessão de atos individuais, conscientes ou não, determinados por formas de proceder anôminas, próprias de grupos cujos compromissos pactuados extrapolam e negam as normas ditadas pela tradição, hábitos e costumes familiares e pela cultura formal. Caracterizam-se por ações assimétricas voltadas, no caso da toxicomania, unicamente para a busca de um prazer que rapidamente se torna obsessivo por não poder, a partir de um determinado estágio, sofrer solução de continuidade, o que dificulta quando não inviabiliza estratégias e logísticas operacionais que se lhes opõem, públicas, através do direito positivo que legitimam ações de repressão, ou privadas através de valores transmitidos pela família, com as recusas sistemáticas dos toxicômanos a se submeterem a avaliações médicas, mesmo de clínicos já conhecidos, analistas, psiquiatras, psicólogos ou, mais particularmente, de se internarem, ainda que por pequenos períodos, em clínicas especializadas.
Em outros países, ao contrário, a violência é justificada por fundamentalismos religiosos e/ou político-econômicos, baseados em valores e tradições culturais que derivam quando antagonizados em terrorismos, guerras e ocupações. Neste caso as diferenças são apenas de proporção porque o confronto se dá igualmente entre forças simétricas e assimétricas.
A violência no Brasil, excetuando as mortes provocadas por acidentes de trânsito, por vezes relacionadas à falta de reflexos provocados por medicamentos cujos alertas não foram devidamente respeitados, liga-se ao uso permanente (independentemente da variação na constância: diária, semanal) dos mais diferentes tipos de drogas, desde as aceitas socialmente como o álcool, às não aceitas, sintetizadas ou não, como as anfetaminas, a cannabis sativa (maconha), a cocaína, o crack, o ecstasy, a heroína e as demais drogas derivadas do ópio.
2. O Consumo
Apesar de muitos minimizarem o ato de consumir drogas não recomendadas, não é possível deixar de discutir um assunto tão importante, associado que está à violência, principalmente em determinados países como o Brasil e a Colômbia, por exemplo. Interesses pouco claros estão fazendo com que o país conviva como refém, como observador sem voz, de um comércio irregular (desregulamentado e sem restrições éticas) que transformou em rotina dramas e tragédias individuais e coletivas. Somas gigantescas de dinheiro circulam sem nenhum controle do poder público, administradas unicamente pelos participantes desse comércio não formal: os que produzem (os que menos ganham, segundo relatórios da ONU); os que consomem (vetor mais importante de qualquer mercado); os que distribuem (os que mais se expõem) e os que facilitam operacionalmente a entrada de drogas e armas no país (cidadãos desconhecidos, estrategicamente protegidos).
Discutir o consumo parece desnecessário, até porque todos devem ter alguma informação sobre suas conseqüências, mesmo que superficialmente. A droga, originalmente consumida como desafio dentro da classe ociosa, que consome cocaína em bandejas de prata, fruto do fascínio que certas elites têm pelo consumo diferenciado e ostensivo - também conhecido como conspícuo - infelizmente generalizou-se nos grandes centros urbanos brasileiros, levando consumidores não necessariamente abastados, mas com poder aquisitivo acima da média, a influenciar segmentos mais modestos, mesmo sem a intenção manifesta de faze-lo, que por admiração, imitação (efeito demonstração), influência ou ingenuidade, acabam por se tornar igualmente usuários e, em seguida, dependentes.
A dependência química, de um lado, implica no consumo constante da droga, que precisa ser paga, logo, requer dinheiro e, de outro conduz o usuário, desde que inteligente - e os há - a divulgá-la através de uma argumentação racionalmente lógica que envolve ao mesmo tempo o livre-arbítrio e uma necessária tolerância pública para justificar o prazer que este comportamento pode proporcionar, mesmo que de forma ilícita. Como resultado, aqueles que não têm condições financeiras para manter o vício e se desintoxicar com regularidade em clínicas especializadas - possível caso dos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, participantes do assassinato dos pais de Suzane von Richtoffen (uma menina, agora prestes a ser solta pela Justiça), em São Paulo, e da grande maioria dos dependentes - na medida em que o tempo de uso vai passando, para evitar a síndrome de abstinência ou crise do desespero, dilema provocado pela necessidade de continuar consumindo e pela incapacidade de continuar pagando, passam a fazer uso dos mais variados tipos de delito, alguns relativamente pequenos como os furtos, outros mais graves como os roubos à mão armada e ainda os muito graves como os assaltos seguidos de assassinatos, além dos mais diferentes tipos de acidentes com mortos e feridos, e os seqüestros, como noticiado freqüentemente pela mídia, ao mesmo tempo em que se debilitam gradativamente com a conseqüente perda da saúde e da produtividade no exercício de suas atividades, enquanto conseguem se manter trabalhando. Mas, embora esta seja apenas uma questão individual, ela tende a afetar também as pessoas que lhes são mais próximas como a família, os colegas de trabalho, os colegas de escola e os amigos.
Continua em Leia com atenção e pense – 2ª parte
Texto revisado por Cris
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