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Para o bem não existem divisas

por Flávio Bastos - flaviolgb@terra.com.br

Conta antiga fábula que certo homem de bom coração encontrou na estrada uma cobra transida de frio: "Coitadinha!", disse ele, "se fica aqui no relento, morre gelada". Tomou-a nas mãos, aconchegou-a ao peito e trouxe-a para casa. Lá a pôs perto do fogão: "Fica-te por aqui em paz até que eu volte do serviço à noite. Darte-ei então um ratinho para a ceia". E saiu.

De noite, ao regressar, veio pelo caminho imaginando as festas que lhe faria a cobra: "Coitadinha! Vai agradecer-me tanto". Agradecer nada! A cobra, já desentorpecida, recebeu-o de linguinha de fora e bote armado, em atitude tão ameaçadora que o homem enfurecido exclamou: "Ah, é assim? É assim que pagas o benefício que te fiz? Pois espera, minha ingrata, que já te curo..." e deu cabo dela com uma paulada.

A fábula, de autoria desconhecida, revela-nos, simbolicamente, a representação do "bem" encarnado na figura do homem de "bom coração", e a representação do "mal" na traiçoeira cobra de "linguinha de fora e bote armado". A mensagem final informa-nos que o bem sempre prevalece sobre o mal, mesmo que seja pela violência. Será?

A chaga da ignorância resumida no orgulho e na prepotência tem sido para a humanidade o principal motivo de seu sofrimento. A "viseira" que tem ocultado a nossa visão do transcendente e o "tampão" que tem abafado em nossos ouvidos a voz da consciência, vêm atrasando o processo consciencial do homem rumo à perfeição.

O mal é a ausência do bem... como definiu Kardec inspirado pelos espíritos benfeitores. E onde predominam as trevas da ignorância é porque a Luz do esclarecimento ainda não penetrou. Revela-nos o dito popular "Faz o bem sem olhar a quem", uma profunda sabedoria, à medida que para a prática do bem não existem divisas ou limites, pois a Luz, sem distinção, acolhe e envolve com o seu manto protetor a todos os seres que despertam para as verdades da vida.

As consciências mais evoluídas que passaram por este planeta, entre elas Jesus Cristo e Mahatma Gandhi, souberam com muita lucidez, amor, fé e dignidade, suportar os revezes de uma época e ambiente hostis às mensagens de amor e paz que pregavam às multidões. E as obras por eles deixadas, influenciaram e continuam influenciando geração após geração, pois foram obras alicerçadas na energia pura do amor como fator de transformação de consciências adormecidas.

Portanto, o amor quando flui da alma em conexão com a Fonte de Amor Universal é energia pura, incorruptível e que não aceita a energia da violência explícita ou disfarçada sob as mais enganosas formas utilizadas pelos seres inteligentes.

A fábula, portanto, revela-nos não a bondade do homem "de bom coração", mas até onde chega o limite da prática da bondade do ser humano, uma vez que além do limite em questão, vislumbra-se as sombras da ignorância com as máscaras do orgulho, prepotência e da violência contra a natureza representada pela cobra. A equivocada mensagem do texto passa ao leitor a idéia de que o objeto do amor jamais deverá frustrar o seu agente. Se isso ocorrer, o agente do "amor" tem a "liberdade e o direito"(?) de cobrar o benefício de sua "bondade" com a punição mais violenta que existe, a morte... "e deu cabo dela com uma paulada".

A cobra, símbolo do mal para muita gente(?), na verdade, coitada, encarna o bode expiatório das nossas limitações em relação à verdade sobre nós mesmos e em relação direta com a grande teia cósmica da natureza em que somos apenas um fio.

Para fazermos o bem através da prática do amor e da caridade não existem limites. Estes existem somente na nossa imaginação e em preconceitos que nos prendem às armadilhas da ilusão. A verdadeira libertação encontra-se além das divisas e nas obras dos grandes mestres espirituais que são verdades que precisam ser por nós descobertas e assimiladas. A partir daí, observaremos que na linguagem do amor, homem e cobra, apesar da distância que os separa, são seres da Criação com direitos iguais à vida, à reprodução e à preservação de suas respectivas espécies.

Psicanalista Clínico e Interdimensional.
www.flaviobastos.com

Texto revisado por Cris


por Flávio Bastos   
Flavio Bastos é criador intuitivo da Psicoterapia Interdimensional (PI) e psicanalista clínico. Outros cursos: Terapia Regressiva Evolutiva, Psicoterapia Reencarnacionista, Terapia Floral, Psicoterapia Holística, Parapsicologia, Capacitação em Dependência Química, Hipnose e Auto-hipnose e Dimensão Espiritual na Psicologia e Psicoterapia.
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E-mail: flaviolgb@terra.com.br
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