Uma Escada ao Céu - Kahunas - Jens Federico Weskott
 
Bookmark and Share

Uma Escada ao Céu - Kahunas

por Jens Federico Weskott - jweskott@uol.com.br

- Mirante. Nós encontramos no Swimming. Uma piscina em Campinas. Fazendo hidroginástica. Acima de nós, semi-aberto, o telhado. No canto, uma escada apontando ao céu. Céu mutante de novembro. Rubem Alves, cronista, mineiro, escritor. Adepto da vida simples. Filósofo das coisas miúdas. - Deveríamos ter uma escada para escapar do mundo, puxo. Rubem: - em casa, tenho um quadro com uma menina na escada alcançando à lua. - Meninas podem, respondo, mas todos deveríamos ter uma escada para o céu. Concorda. Nadamos, matutando. Será que não temos? Uma escada dentro de nós? O Eu Superior?
- Tateando. Bem, vem de longe. Max, jovem estudante. Milhares como ele. Procurando algo. Além. Degraus na escada: Batizado batista. Indo a missas católicas. . Mergulho na teosofia. Lendo tudo sobre religião. Max, avance três casas. Gradua-se em psicologia. Ótimo, Max! Religião e ciência juntos - louvor à sua sede.Você promete.
Nublado. E agora quê, Maxé? 1917; tem guerra mas não tem emprego. Ninguém contrata rapaz na mira do exército. Formandos à procura. Curtis, colega de faculdade, também. Fica na casa dos pais, espera. Os pais plantam laranjas. Max aceita temporários, qualquer serviço. É fotógrafo itinerante. Curte e clica bem. No verão, perdem contato.
- Emigrar? No Havaí faltam professores. Para “educar” nativos. Por acaso, Curtis assina contrato. Praia, mar, fascinante! Honolulu não é um paraíso? Porém, nada de litoral. Ilha vulcânica, cafezal no meio do mato, escola minúscula, apenas nativos. Curtis quer cair fora - e o contrato? Procura substituto. Tenta mas não acha. O laranjal inspira?
Lampejo. Fim do dia, um raio de luz. Ouve uma voz. Um anjo? Vai de carro a Los Angeles. Passeia pela rua Seis. Entra na Spring Street. Esteja às 18:30. Lá estará o cara certo. Vá - ele vai topar seu contrato! Nunca houve nada igual. Mistério. É para valer? Melhor ir.
- Chamado. Quem está aí? O bom Max amigo! Olhando vitrines. Longe do quarto alugado. Pela rua Seis. Entrando na Spring Street. Um anjo guia? Também foi por um toque. Algo como esteja lá. Ambos pasmos. “Max, tenho algo para te dizer - e vai concordar comigo”. Silêncio. Curtis: “Você vai para o Havaí lecionar - é só isso”. Agência de viagens perto, vitrines coloridas, pronto.
Rumo. Anos mais tarde, Max lembra: “Curtis, naquele dia você não era o mesmo: Teu jeito, a voz, tudo. Entrou na pele dos antigos Kahunas? Você, tão meigo e tranqüilo, de repente mudando para um mago ancião. Ai me fez concordar de ir ao Havaí: “esse é teu destino e você deve ir".
- Herói. “Quando sei e sinto o muito que Max fez, trabalhando além de suas forças, só com a magia dos Kahunas na cabeça, me lembro quando tudo começou”. Haviam estudado juntos em Los Angeles. Curtis é liberado do contrato. Demitiu-se para Max assinar: 9 de agosto de 1917. “Foi um ano ruim, os professores eram maltratados. Muitos renunciaram. Max embarcou num cargueiro, de graça. Foi para um lugar longínquo, primitivo. Dizia gostar”.
- Tabu. Um novo degrau? Apenas rotina. Poucas tarefas. Ao lado, um docente nativo. À vista, o vulcão ativo de Big Island. Havia treinado a mente, antes. E a espiritualidade. Aquecedoras leituras sobre as ilhas. De noite, ao redor do fogo, conversas. Quanto mais ouvia, maior seu ‘choque de espanto’. Porém, ante suas perguntas, silêncio. Falava havaiano, fazia amigos. Mas era “haole”, e não dá para confiar num estranho. Será verdade? Que Kahunas caminhavam descalços na lava quente, curavam doentes, resolviam problemas? Silêncio. Missionários brancos legislavam nas ilhas, os Kahunas fora da lei...
- Mentor. Muda de escola três vezes, nada. Desiste de achar o segredo. Vai descer degraus. Decide voltar ao continente. Visita Honolulu. Lá não tem o famoso Museu Bishop? Talvez com as respostas certas? Procurou o curador. Dizia-se que se interessara. Um achado. Um cientista inglês de renome! Uma vida de estudos “kahuna”. Focou seu rádio X em Max: “Estive esperando por você quarenta anos!”.A entrevista acabou em adoção. Parabéns, Max, 30 anos, aprovado.
- Dicas. Consciência, força e substância. Três princípios identificados pelo cientista. Os que permitiam os Kahunas fazer milagres. Max atônito. Para ele, tudo não passava de sugestão, superstição. Ou veneno? Histórias exageradas, de todo modo. Mas o curador tinha histórias outras: “Kahunas conseguem curar. Conseguem matar. Conseguem ver o futuro e mudá-lo para melhor. Muitos são impostores, mas há os bons...
- Aulas. Um curador de museu ver e nada entender? A ciência analisa fundo, passa o saber adiante. Foi o que fiz. Mais tarde Max lembrou do fascínio: “Nesse momento ele colocou seu manto sobre mim, tal como Elias o Velho, antes de partir”. E me disse: “Faz tempo procuro por um jovem a fim de treiná-lo na abordagem científica da magia”. Quatro anos ao pé do mestre. Milagres? “Fenômenos estranhos, inexplicáveis à luz do saber vivo atual”.
- Três pontos. Repetir para gravar. “Olha três coisas, Max: tem de ter um tipo de consciência por trás, guiando o processo de magia; deve haver um tipo de força exercendo controle; por último, algum tipo de substância, visível ou não, pela qual a força age... Dá-se com uma, achará as outras”. Em 1926, Brigham falece. Max gosta de pesquisar, Também quer sobreviver. Derrotado em ambas as frentes, deixa o Havaí com seu código secreto oculto.
- Quahini. Em plena crise mundial, seu foto shop era invendível. A não ser que... Vai a uma Kahuna mulher: “Há outro na cidade. O único a comprar sua loja. Vai vê-lo após do almoço. Com a lista. Ah, e para.te desbloquear.. o primeiro cigarro, só após do meio-dia”. Ouvido e feito. Loja vendida. Magia funcionando. Sempre há outro modo de fazer uma coisa. Max, grava isso no teu sub!
- Freud. Atolado de papeis, volta à Califórnia. Gráfica de dia, estudos à noite. Até a fada brilhar. O foi seu anjo guia? Acorda, Max: Como Kahunas instruem alunos? Teaching words! Os Kahunas deviam ter códigos da magia. Não havia escrita no antigo Havaí. Preces e cânticos possuíam palavras-raízes. Listadas no Andrews, o dicionário havaiano-inglês. Grande realização dos missionários brancos. O Max psicólogo e lingüista pesquisam juntos. Níveis de consciência? Graças a Freud, o sub está ai. Thanks, Sigmund, meu arauto!
- Click! Seis meses para achar os três níveis de consciência. O de cima, o Superconsciente ou Eu Superior, a centelha divina no homem. No meio, o consciente, já conhecido, e o sub de Freud. E a energia usado pela força é o mana polinésio. Mas o terceiro elemento só seis anos depois: a substancia invisível aka, pela qual o Eu Superior realiza seus milagres... O último degrau?
- Diapasão. Parabéns, Max Freedom Long, tu chegou! À metade da escada... na metade de tua vida. Sabia, sim, que a escalada ia continuar. Dos Kahunas, guardiães do código, adotou o nome, aliás, Hu representando o masculino, Na o feminino, símbolos do yin-yang, o ato criativo de unir dois pólos de energia no Todo. Corre, conta ao mundo. Que vêm do Egito, dos essênios, de Jesus! Conhecido o princípio, temos de praticá-lo, degraus e mais degraus na escalada espiritual rumo à Harmonia Superior.

Autor de: A Magia dos Kahunas, São Paulo 1995

(OK)


por Jens Federico Weskott - jweskott@uol.com.br   
Lido 1933 vezes, 19 votos positivos e 0 votos negativos.   
Visite o Site do autor.   
Vote se você gostou deste Artigo!
Sim Não  

 
O conteúdo desta página é de exclusiva responsabilidade do Participante do Clube.
O Site não se responsabiliza pelas opiniões expressadas ou eventuais violações de direitos autorais.