Sofrimento, dor e perdapor Mirtes Carneiro - mirtes@ajato.com.br
O ser humano, ao nascer, recebe, de forma incondicionada, a capacidade de ser feliz, de se auto-realizar, de transcender. Ele vivencia esta experiência incondicionada, porém, no decorrer de sua vida, este mesmo ser humano começa a se condicionar, estabelecendo aí, a dualidade, e sua personalidade vai se formando de forma condicionada, que de uma forma ou de outra, se distancia do natural, do essencial.
Acredito que muitas pessoas são levadas a viver na normose e aceitar a dessacralização por desconhecer que a verdadeira missão está dentro de cada um, que nós temos todas as ferramentas necessárias para cumprir a nossa missão, que precisamos estar atentos para não nos desviarmos dela. Contudo, o momento social nos chama para fora, para o mais fácil, para o mais rápido, para o depois, o amanhã. Isto vai massificando as pessoas, que sem perceber, se deixam conduzir, como parasitas, por caminhos que elas nem mesmo concordam e tampouco, gostam ou aprovam. O materialismo se difunde cada vez mais, prometendo a felicidade, a alegria através do consumismo. É neste momento que se faz necessária a reflexão sobre a transcendência do homem, o resgate da sua natureza incondicionada. Em algum momento de sua vida o homem será chamado a algo superior, maior, que possa preencher sua Identidade divina, e neste momento, fatalmente este mesmo homem irá se deparar com a espiritualidade contida seja nas religiões instituídas ou não, seja na própria filosofia ou então na Psicologia, ou talvez em todos estes elementos.
Mas afinal, qual é o objetivo do sofrimento? O padre Inácio Larrañaga, em seu livro Sofrimento e Paz (1991), coloca o sofrimento como problema fundamental da humanidade. Fazendo uma comparação com os animais, Larrañaga reflete sobre os problemas e sofrimentos do homem. Para ele, o que cria todos os problemas do ser humano é a sua mente, ao passo que os animais vivem cálida e deleitosamente em plena harmonia” por não possuírem a faculdade de se sentirem separados, diferentes ou solitários. O homem se sente dissociado e isto causa sofrimento, e assim é obrigado a buscar a unidade consigo mesmo e com os outros”.
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