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Sacos plásticos, dá para viver sem eles
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O pânico provocado pelo aquecimento global tem nos levado a soluções interessantes para preservar o meio ambiente. Em alguns casos, o investimento financeiro para diminuir a poluição é gigantesco e complexo. Exige dinheiro e também a alteração de métodos de produção consolidados e a utilização de matérias-primas menos poluentes em produtos imprescindíveis em nosso cotidiano. É o que ocorre com o plástico, um material que utiliza petróleo em sua produção e que, para piorar, demora para desaparecer do mapa. Algumas embalagens levam até 300 anos para se decompor.
Redes de supermercados começam a cobrar pelo saquinho plástico utilizado pelos clientes. São Paulo já tem supermercados que cobram R$ 0,05 por cada sacolinha, um preço ainda simbólico. O que importa, porém, é o despertar da consciência de cada um para o problema, que atinge grande parte do mundo. Acostumadas a carregar as compras, as pessoas incorporaram os saquinhos plásticos no cotidiano. Utilizam-se deles para forrar latas e abrigar o lixo doméstico. E aí começa o problema.
Onde não existe a coleta seletiva, todo esse plástico termina em aterros sanitários e lixões a céu aberto, dificultando e impedindo a decomposição de materiais biodegradáveis. A situação poderia ser amenizada se houvesse maior preocupação com a reciclagem do nosso lixo doméstico. Em média, cada saquinho de supermercado que você joga no lixo pode demorar até um século para desaparecer completamente. Só para se ter uma idéia, o Brasil produz anualmente 210 mil toneladas de plástico filme, a matéria-prima dos saquinhos plásticos. E isso representa cerca de 10% do lixo do país.
O tal do plástico filme é produzido a partir do polietileno de baixa densidade, originado do petróleo, não biodegradável, e poluente também durante sua produção. Até por isso, tem bastante gente se mexendo para substituir o produto no mercado. Cientistas brasileiros do Instituto de Pesquisas Tecnológicas da Universidade de São Paulo (IPT/USP) desenvolveram um plástico derivado do açúcar de cana.
O custo é mais elevado, o que atrapalha previsões sobre o alcance do produto. Mas, veja bem, estamos falando de um produto que demora 60 dias para se decompor contra os 100 anos da concorrência. Dessa forma, acredito em uma solução para reduzir custos, já que os materiais produzidos a partir de aditivos ou matérias-primas de origem vegetal podem ser aplicados em sacos de lixo, talheres, pratos, copos, frascos, garrafas, tampas, cobertura para fraldas, luvas descartáveis e até canetas. Algumas empresas já trabalham a todo vapor em outras tecnologias menos nocivas ao meio ambiente.
Há também quem decidiu cortar o mal pela raiz. Em San Francisco, nos EUA, os sacos plásticos serão banidos e substituídos por sacolas de papel reciclado e materiais feitos com goma de milho ou batata. É um bom exemplo para um país que despeja anualmente 100 bilhões de sacos plásticos no lixo. Em Bangladesh, já é proibido fabricar, comprar e, acredite, portar sacos plásticos. Quem desrespeita a lei, pode pagar multa de até R$ 21 e, se for reincidente, ir para a prisão. O que motivou a histeria foram o entupimento de redes de esgotos e as cheias provocadas pelas sacolas.
Na Irlanda, o governo não precisou ser tão radical. Há cinco anos, passou a cobrar imposto por cada sacolinha. A redução hoje chega a 90%, ou a cerca de um bilhão de unidades por ano a menos, uma economia de 18 milhões de litros de petróleo no país, segundo cálculos oficiais. Sem contar que a taxa representa R$ 200 milhões a mais nos cofres públicos por ano, que são revertidos para a preservação ambiental.
Como se percebe, existem várias maneiras de amenizar o impacto dessas sacolinhas plásticas. A conscientização em torno do problema é o primeiro passo. Se puder levar suas compras sem os saquinhos plásticos, não pense duas vezes em dispensá-los. Mais que isso, incorpore a reciclagem no seu cotidiano e não deixe que o vento carregue os sacos para lugares inadequados. Essas medidas, com certeza, já serão de grande ajuda e os frutos serão colhidos lá na frente, entre 100 e 300 anos.
Por: Sebastião Almeida é deputado estadual pelo PT, coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Água e presidente da comissão de Serviços e Obras Públicas da Assembléia Legislativa de São Paulo. E-mail: gotadagua@sebastiaoalmeidapt.com.br
http://www.revistafatorbrasil.com.br
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21 comentário(s)
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11/7/2009 20:08:05 - nilton borges de abreu - seth.777@hotmail.com
Seres humanos definitivamente não combinam com preservação ambiental, já notaram que toda área bela e preservada é pouco habitada? E toda tragédia ambiental provém das grandes cidades, seja por sua própria poluição ou pela demanda gerada por elas. Acho que qualquer um que se preocupe verdadeiramente com o planeta deve ter em mente que nos não provocamos a doença do planeta... nós somos a doença do planeta. A água que bebemos deve vir de longe de nós pois senão estará suja e impropria; agora pense, pelo andar da carruagem como estará daqui a 10 anos... somos hoje 7 bilhões de pessoas se não houver um controle severo de natalidade cada dia estará pior, até que... |
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29/8/2008 09:04:34 - maria goreti tuleski - brincandoereciclando1@hotmail.com
Este realmente é um assunto um tanto quanto preocupante. Sabemos que ninguém gosta de fazer as coisas por imposição, faça isto, ou não faça assim, as pessoas simplesmente não aceitam, pois se aceitassem as propagandas na televisão seriam o suficiente para a transformação tão necessária que precisa acontecer. E como fazer para que haja uma consciência ambiental capaz de mudar o cenário atual? Entendo que é necessário primeiramente uma mudança interna para depois poder ser lançada no ambiente. Depois de mais ou menos uns 10 anos de observação e seguindo a intuição, desenvolvo um trabalho aqui em Curitiba-PR com um grupo de amigos desde 2005 onde o foco é mudança de comportamento. Confiram no www.brincandoereciclando.blogspot.com |
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21/8/2008 20:09:33 - Alciris Hermínia Rusi Ferrari
Que bom que existem pessoas interessadas e preocupadas com nosso meio-ambiente, que é a nossa casa comum. Se todos fizermos nossa parte, por menor que seja, será uma grande revolução em favor da vida. Parabéns! Deus abençoe voces Continuem firmes... Um grande abraço Alciris |
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21/8/2008 09:18:19 - JORGE ERASMO DOS SANTOS - jorgerasmo@yahoo.com.br
Ótimo assunto abordado. realmente o problema de contaminação do meio-ambiente é de responsabilidade de todos nós, não só dos governos. Afinal, quem são os governos? Hoje eles são governo, amanhã não serão mais, serão pessoas comuns como quaisquer outras. Não podemos e não devemos nos calar diante de tão sério assunto. Entendo que no futuro os governos precisarão impor pesadas multas para quem poluir o meio-ambiente, também com essas sacolinhas plásticas. E antes que isso precise acontecer, vamos nos conscientizar e deixar de usar tais produtos nocivos a nós mesmos. Afinal é só pensarmos que planeta terra queremos encontrar quando para aqui voltarmos numa próxima ou próximas reencarnações. Não é questão de acreditar ou não em reencarnação. Ela existe, apesar de a aceitarmos ou não. Portanto, vamos fazer, e já, ações para não contaminar o meio ambiente. E vamos começar abolindo essas tais de sacolas plásticas. Muita paz a todos. |
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3/8/2008 21:17:05 - Myrthes S. Lima - myrthes@globo.com
Li os comentários e percebi a preocupação de algumas pessoas com a sugestão de os mercados cobrarem pelas tais sacolas; tenho uma sugestão, eu mesma fiz sacolas de tecido para mim e estou fazendo para pessoas conhecidas. Em tempo, não estou ganhando nada com isto, faço este trabalho por amor ao planeta, o momento agora é de reciclar, reaproveitar tudo o que for possível. Mãos à obra: sacolas de retalhos ficam lindas, pernas de calça jeans que foram cortadas, etc. vamos ser criativos, basta querer. Sempre há um jeito, dê o seu. Com certeza Deus e o planeta terra vão ficar felizes e agradecidos... |
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1/8/2008 03:48:14 - Lilian Salvagni Pastori
Na verdade meu comentário é uma dúvida. Estou tentando incluir no meu dia-a-dia o máximo de hábitos ecológicos possíveis, pois sei o quanto são importantes, inclusive separo todo o lixo orgânico do inorgânico, mas acabo utilizando as sacolas plásticas para isso, então pergunto como devo armazenar o lixo produzido que vai para a lixeira? |
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31/7/2008 09:38:05 - Lúcia Helena Munhoz de Mattos
Tenho uma grande dúvida a esse respeito: como devemos então, armazenar o lixo que vamos jogar fora nas lixeiras de casa? |
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3/7/2008 11:00:31 - sonia das graçs
Olha, muito importantes estas iniciativas sadias deste site, temos que realmente começar a espalhar de um em um, porque o que o pessoal ainda não tem é consciência, não existe uma política realmente preocupada em dizer coisas que mexem no dia-a-dia das pessoas. Muito bom |
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