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Entrevista sobre a importância da Criança Interior  
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Entrevista sobre a importância da Criança Interior

por Rosemeire Zago


"Em todo adulto espreita uma criança - uma criança eterna, algo que está sempre vindo a ser, que nunca está completo, e que solicita cuidado, atenção e educação incessantes.
Essa é a parte da personalidade humana que quer desenvolver-se e tornar-se completa".
Jung


Nesta entrevista, a psicóloga e analista junguiana Rosemeire Zago, desvenda o arquétipo (imagem do inconsciente) da criança interior, sua importância e como resgatá-la.

- O que é a criança interior?
Rosemeire: Para a realidade psicológica, a criança é um símbolo para expressar um fato psíquico. A criança interior representa a totalidade na nossa psique, a renovação psicológica, é nossa verdadeira essência. Nela estão presentes as lembranças ruins, os traumas, como também lembranças alegres, que posteriormente utilizamos como imagens âncoras.

- Qual é a importância em encontrar a criança interior?
Rosemeire: É importante entrar em contato com a criança interior para vivenciar o processo de individuação, ou seja, nosso crescimento. É a descoberta de nós mesmos.

Isso se dá quando entramos em contato com nossos reais sentimentos, principalmente as dores que foram reprimidas por pura sobrevivência, identificando as necessidades emocionais não supridas, as máscaras que criamos para suportar as dores e a negação do "self", o verdadeiro eu. O mais importante é validar todos os sentimentos reprimidos, o que fará toda diferença no processo de cura.

É preciso amar primeiro nossa criança, para depois amarmos outras pessoas e recebermos amor; do contrário, sempre escolheremos, inconscientemente, relacionamentos doentes e destrutivos, recriando padrões da infância. Possuímos uma única arma contra dificuldades internas: a descoberta emocional da verdade sobre a história de nossa infância, que muitas vezes inclui abusos e muito sofrimento em silêncio.

Hoje o resgate da criança interior é o elemento mais importante do trabalho terapêutico. Ouvir essa criança é essencial ao processo de tornar-se único. A necessidade de encontrar a criança interior faz parte da jornada de todo ser humano que se encaminha na direção do autoconhecimento e de sua totalidade.

Ninguém teve uma infância perfeita. Todos nós carregamos questões inconscientes que não foram resolvidas. Sabemos que 80 a 95% das pessoas não receberam atenção adequada quando criança, assim o resgate da criança interior se torna a tarefa da maioria das pessoas. Afinal, o que há de mais rico e sagrado dentro de cada um de nós e que ninguém nunca poderá pegar, roubar ou levar, se não tiver o seu consentimento? Seus sentimentos. E só chegamos a ele através da criança interior. Infelizmente, muitos adultos não sabem que suas dificuldades têm origem em seus primeiros anos, e segundo pesquisas recentes, desde a concepção. Entrar em contato com a criança ferida é romper com o sofrimento do silêncio de todos os abusos sofridos na infância.

- Onde vive a criança interior?
Rosemeire: Simbolicamente encontramos nossa criança escondida atrás da porta, embaixo da cama, ou dentro de um armário. É como se ela ficasse "congelada" nos momentos de intenso sofrimento, decorrentes de abusos sofridos nos primeiros anos de vida. E a sua criança, onde ela está escondida?
Mas ela também está em nossas fantasias, devaneios, sonhos, desejos, imaginações, intuições e principalmente, em nossas emoções. Quando você chora, quem está chorando é sua criança: abandonada, sozinha. Está presente também na parte de nossa psique que vivencia a angústia, a dor e o sofrimento; como também quando você brinca, tem prazer naquilo que faz. Quando você cria algo também é sua criança, ela é nossa maior fonte de criatividade.

- Todos nós temos essa criança?
Rosemeire: Sim. Todos nós tivemos uma infância, feliz ou não.
A criança sobrevive dentro de nós e está aguardando o reconhecimento de sua presença.

Ainda existe uma criança viva em cada um de nós que continua precisando de pai e mãe. E nós devemos nos tornar pai e mãe dessa criança, oferecendo a ela compreensão, amparo, atenção, carinho e amor, e principalmente validar de seus sentimentos reprimidos. A criança precisa urgente de quem suporte junto com ela seu sofrimento e angústia.

"Não são os traumas que sofremos na infância que nos tornam
emocionalmente doentes,
mas a incapacidade de expressá-los".
Alice Miller


- Como perdemos o contato com nossa criança e quando?
Rosemeire: Perdemos por diversos motivos. Acontece mais ou menos assim: quando a criança não se sente amada, importante, valorizada, desde a concepção e nos seus primeiros anos de vida, aos poucos vai desenvolvendo muita necessidade de agradar para ser aceita e amada, com isso vai se afastando de quem é de verdade, de sua essência; e a consequência é: necessidades emocionais não satisfeitas, máscaras, angústia, crise e doença.

Perde-se também o contato com a criança quando não sente permissão para expressar sentimentos de tristeza, raiva, perda, frustração, dor, quando sente que seus sentimentos não importam, não se sente valorizada, amparada, e tem que reprimir tudo que sente, como forma de sobrevivência. Quando há abandono, críticas, cobranças, comparações, humilhações, culpa, tudo aquilo que a faz afastar-se de seus reais sentimentos e necessidades, ou seja, de quem realmente é, transformando-se naquilo que querem que seja. Não importa o que faça, nunca está certo. Nada do que diz, sente ou pensa está certo. É considerada louca, boba, burra, feia. E essa percepção de si mesma pode perdurar toda uma vida. O sentimento que ficará registrado é o da rejeição, do abandono.

Perdemos o contato com nossa criança interior por volta dos 5, 7 anos.

- Uma dúvida muito comum é: os pais são os culpados por tudo isso?
Rosemeire: Na verdade sempre explico que não estamos na busca de culpados, mas sim na origem das dificuldades e sintomas do adulto.
Mas como dizer que um pai não é culpado, quando abusa sexualmente da filha quando criança, a quem ela ama e confia, roubando sua infância e comprometendo toda sua vida? Sabemos que se os pais não proporcionaram algo, é porque eles também não receberam quando criança, ou também foram crianças abusadas, e com isso temos crianças feridas criando outra criança ferida.

O que precisamos nos atentar é sobre o perigo da repetição de padrão. Recriamos quando adultos, o que vivenciamos nos primeiros anos de vida, principalmente com os filhos. Por exemplo, uma mãe que apanhou quando criança provavelmente irá bater em seus filhos, por mais que prometa não fazer igual. E isso precisa ser rompido! E só conseguimos romper padrões com a conscientização, que se obtém com o processo de autoconhecimento.
Por isso a importância da psicoterapia/análise e consequente conscientização da verdade sobre a infância, rompendo assim o silêncio do sofrimento.

- Quem é o autor dessa teoria?
Rosemeire: Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço (1875-1961), que publicou o ensaio "A psicologia do Arquétipo da Criança" em 1940.

Tudo começou com ele próprio resgatando lembranças da sua infância. Ele vivia sob o domínio de uma pressão interna que o fez revisar toda sua vida.

Ocorreu-lhe então uma lembrança, carregada de afeto, em que estava com a idade de dez ou doze anos. Lembrou-se de que, quando menino, gostava de brinquedos de construção, fazendo casinhas e castelos, usando garrafas como suportes. Depois usava pedras naturais e terra. Essa lembrança emergiu acompanhada de muita emoção. Perguntou-se como chegar a esse garoto, e percebeu que havia esquecido esse jovenzinho, mas ficou evidente para ele, que aquela criança continuava viva e queria alguma coisa dele.

Pensou que só lhe restava uma forma de voltar aquele garoto e passou a se entregar sempre que o tempo o permitia, ao brinquedo de construção.

Denominou esta atividade de "brincar a sério". Isso ocorreu quando estava desesperado com a perda de sua ligação com Freud e o rumo de sua vida profissional e pessoal.

Por intermédio desse "brincar a sério", entrou em contato com aquela sua criança esquecida e abandonada e a trouxe de volta para sua vida.

Podemos dizer, que se tornou a mãe e pai perdidos de sua própria criança triste. Através desse contato com a criança interior, começou uma imensa onda de criatividade. Sempre que se sentia bloqueado ou precisava criar algo, se entregava ao brincar. Esse momento marcou um ponto crucial em seu destino. Na medida em que conseguia traduzir as imagens que se ocultavam nas emoções, sentia paz. E isso é bárbaro!

Quem também estudou sobre a infância foi Ferenczi, que se aprofundou no conceito de trauma e a Alice Miller, que estudou as consequências dos abusos sofridos e o silêncio do sofrimento na infância. Teoria que muitos profissionais, lamentavelmente, ignoram.

- Qual o principal sintoma da desconexão interna com a criança?
Rosemeire: Os principais sintomas são: carência, vazio, medo da solidão, dependência financeira e/ou emocional, necessidade constante de aprovação, reconhecimento, atenção, amor, repetição de padrão, baixa autoestima, sintomas físicos e/ou emocionais. A criança aprende logo cedo a agradar a todos como forma de ser aceita, não importando o preço pago. Toda criança precisa de aprovação, quando não consegue obtê-la, não tem outra escolha senão encontrar amor e aprovação junto aos outros. Quando adultos, continuamos essa busca, é como se fosse a nossa própria criança buscando alguém que supra suas necessidades emocionais da infância. É um vazio nunca preenchido, uma carência eterna.

Isso é carência afetiva: precisar que os outros preencham um vazio enorme. Na verdade, a pessoa se relaciona com outro buscando aquilo que ela não consegue dar a si própria, se relaciona com a parte que falta dela mesma. Essa carência é o reflexo de ausência dentro de si, que começa quando nos afastamos dos nossos reais sentimentos.
Por isso as pessoas se sentem tão sozinhas, carentes, e assim, mantêm relacionamentos destrutivos, dependentes.

A conexão externa com os outros, só poderá acontecer quando houver uma conexão interna consigo mesma. Neste momento os relacionamentos serão muito mais saudáveis, pois estarão baseados na troca, no crescimento mútuo e não nas carências.

A falta de conexão com a criança interior emerge de forma mais intensa em momentos de perda, sofrimento, rejeição e abandono intenso. Mas, o pior abandono acontece quando abandonamos a nós mesmos. É quando a pessoa se sente perdida, abandonada, em desespero e com profunda angústia.

A desconexão com a criança interior começa quando se afasta de seus sentimentos, de quem é de verdade, para ser aceita. Claro que todo esse processo acontece de modo inconsciente.

Mesmo quando adulto, busca uma relação de dependência, desejando, ainda que inconscientemente, que o outro cuide dela, a alimente, a salve, buscando desesperadamente tudo aquilo que não recebeu do pai e/ou mãe. Em geral, irá se deparar com pessoas que a farão se sentir exatamente do mesmo jeito que seu pai e/ou mãe a faziam se sentir quando criança. Sentindo novamente a decepção, frustração, desespero, sente-se pior ainda, pois estará retraumatizando a criança interna.

"Em todo adulto espreita uma criança - uma criança eterna, algo que está sempre vindo a ser, que nunca está completo, e que solicita cuidado, atenção e educação incessantes.
Essa é a parte da personalidade humana que quer desenvolver-se e tornar-se completa".
Jung

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Continuarei no próximo artigo!



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  Entrevista sobre a importância da Criança Interior - parte 2


Rosemeire Zago é psicóloga clínica CRP 06/36.933-0, com abordagem junguiana e especialização em Psicossomática. Estudiosa de Alice Miller e Jung, aprofundou-se no ensaio: `A Psicologia do Arquétipo da Criança Interior´ - 1940.
A base de seu trabalho no atendimento individual de adultos é o resgate da autoestima e amor-próprio, com experiência no processo de reencontrar e cuidar da criança que foi vítima de abuso físico, psicológico e/ou sexual, e ainda hoje contamina a vida do adulto com suas dores.
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